Araújo Soares e Cruz
Desde 2003
  • Quem somos
  • Especialidades
  • Área de atuação
  • Blog
  • Contato

Academia com muitos estagiários: o que a lei permite, onde está o risco e como manter tudo juridicamente regular

Início Direito do Consumidor Academia com muitos estagiários: o que a lei permite, onde está o risco e como manter tudo juridicamente regular

O uso de estagiários em academias é uma prática comum no Brasil, especialmente em razão da forte conexão entre o setor fitness e cursos de Educação Física, Fisioterapia e áreas correlatas. No entanto, o que muitos empresários ainda não perceberam é que o excesso de estagiários, quando mal estruturado, se tornou um dos maiores focos de risco trabalhista para academias.

A pergunta que muitos donos de academia fazem é direta: “posso ter um quadro de estagiários maior que o normal?”
A resposta jurídica correta é: pode ter estagiários, mas não pode transformar o estágio em modelo de negócio nem em substituição de mão de obra regular.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que a legislação brasileira realmente permite
  • Quando o número de estagiários se torna ilegal
  • Onde as academias mais erram
  • Quais são os riscos trabalhistas envolvidos
  • Como estruturar o estágio de forma segura

Tudo isso com foco na realidade prática das academias no Brasil.

Índice do Conteúdo

Toggle
  • O que é o estágio do ponto de vista jurídico
  • Existe limite de estagiários por empresa no Brasil?
  • O grande erro das academias: quantidade + função
  • Estagiário pode dar aula em academia?
  • A supervisão não pode ser apenas formal ou “no papel”.
  • Jornada fixa e escala: sinais claros de vínculo
  • “Mas todo mundo faz assim”: por que isso não protege a academia
  • Quais são as consequências jurídicas para a academia?
  • A Geração Z e o aumento do risco jurídico
  • Estágio não é solução para reduzir folha de pagamento
  • Como estruturar estágio de forma segura em academias
  • Alternativas mais seguras ao excesso de estagiários
  • Fiscalização em academias: uma realidade cada vez mais comum
  • Pode ter muitos estagiários? Cuidado com o limite invisível

O que é o estágio do ponto de vista jurídico

O estágio, juridicamente, não é emprego. Ele é definido como um ato educativo supervisionado, cujo objetivo principal é a formação do estudante, e não a produtividade da empresa.

Isso significa que:

  • O estágio não existe para reduzir custos trabalhistas
  • O estagiário não pode substituir empregado
  • A atividade deve ter caráter pedagógico

Na prática, quando a academia utiliza estagiários como se fossem professores, instrutores ou funcionários regulares, ocorre desvio de finalidade, o que pode gerar reconhecimento de vínculo empregatício.

Existe limite de estagiários por empresa no Brasil?

Sim. A legislação brasileira estabelece limites objetivos para o número de estagiários em relação ao número de empregados, no caso de estágio não obrigatório.

De forma simplificada:

  • Empresas com até 5 empregados: até 1 estagiário
  • De 6 a 10 empregados: até 2 estagiários
  • De 11 a 25 empregados: até 5 estagiários
  • Com mais de 25 empregados: até 20% do quadro de empregados

Esses limites existem justamente para evitar que o estágio seja usado como substituto da contratação formal.

⚠️ Importante: estágio obrigatório vinculado diretamente ao currículo do curso não entra nessa conta, mas somente se for realmente obrigatório e educativo.

O grande erro das academias: quantidade + função

O maior problema jurídico não é apenas a quantidade de estagiários, mas a função que eles exercem dentro da academia.

Academias entram em zona de risco quando:

  • Possuem mais estagiários do que professores registrados
  • Dependem de estagiários para funcionar
  • Colocam estagiários para dar aulas sozinhos
  • Escalam estagiários como se fossem funcionários
  • Tratam o estágio como “professor em treinamento” permanente

Nessas situações, mesmo que exista termo de compromisso assinado, a Justiça do Trabalho pode reconhecer fraude.

Estagiário pode dar aula em academia?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes — e uma das maiores fontes de condenação.

👉 Estagiário NÃO pode dar aula sozinho.

Ele pode:

  • Auxiliar o professor
  • Acompanhar alunos
  • Aprender a dinâmica da atividade
  • Executar tarefas supervisionadas

Mas a responsabilidade técnica deve ser sempre do profissional habilitado, com registro regular e presença efetiva.

Quando o estagiário assume turmas, horários fixos e autonomia técnica, o estágio perde completamente sua validade jurídica.

Supervisão: o ponto mais ignorado (e mais cobrado)

A supervisão não pode ser apenas formal ou “no papel”.

Para que o estágio seja válido:

  • Deve haver profissional habilitado
  • A supervisão deve ser real, contínua e comprovável
  • O supervisor precisa acompanhar o estagiário na prática

Academias que apenas “assinham relatórios” sem supervisão efetiva estão altamente vulneráveis em fiscalizações e ações trabalhistas.

Jornada fixa e escala: sinais claros de vínculo

Outro erro comum é impor ao estagiário:

  • Jornada rígida
  • Escala fixa
  • Obrigação de cobrir faltas
  • Substituição de professores

Esses elementos são típicos de relação de emprego, não de estágio.

O estágio até pode ter horário definido, mas não pode reproduzir a lógica do empregado, sob pena de descaracterização.

“Mas todo mundo faz assim”: por que isso não protege a academia

No Direito do Trabalho, a prática de mercado não legitima ilegalidades.

O juiz analisa:

  • O que está no contrato
  • Mas, principalmente, a realidade da prestação de serviços

Se a realidade mostrar subordinação, habitualidade, pessoalidade e onerosidade, o vínculo pode ser reconhecido, independentemente do nome dado ao contrato.

Quais são as consequências jurídicas para a academia?

Quando o estágio é considerado irregular, a academia pode ser condenada a:

  • Reconhecimento de vínculo de emprego
  • Registro retroativo em carteira
  • Pagamento de FGTS + multa de 40%
  • Férias + 1/3
  • 13º salário
  • Horas extras
  • Multas administrativas

Além disso, há:

  • Risco de fiscalização do Ministério do Trabalho
  • Danos à reputação
  • Efeito multiplicador (outros estagiários podem ingressar com ações)

A Geração Z e o aumento do risco jurídico

Hoje, a maioria dos estagiários pertence à Geração Z, um fator que aumenta significativamente o risco para academias que atuam fora da legalidade.

Essa geração:

  • Tem mais acesso à informação
  • Conversa entre si
  • Compartilha experiências em redes sociais
  • Questiona práticas abusivas
  • Procura orientação jurídica com mais facilidade

Ou seja: o estagiário que hoje aceita tudo, amanhã pode processar.

Estágio não é solução para reduzir folha de pagamento

Um erro estratégico comum é enxergar o estágio como forma de:

  • Diminuir custos
  • Substituir professores
  • Evitar encargos trabalhistas

Essa lógica é perigosa.
Estágio não pode ser base operacional da academia.

Quando isso ocorre, o risco jurídico deixa de ser eventual e passa a ser estrutural.

Como estruturar estágio de forma segura em academias

Para manter tudo juridicamente em ordem, a academia deve:

✔ Ter professores contratados suficientes
✔ Usar estagiários apenas como apoio educacional
✔ Garantir supervisão efetiva
✔ Respeitar os limites legais de quantidade
✔ Manter plano de atividades
✔ Evitar autonomia técnica do estagiário
✔ Documentar corretamente a relação

Essas medidas reduzem drasticamente o risco trabalhista.

Alternativas mais seguras ao excesso de estagiários

Se a academia precisa de mais pessoas para operar, alternativas juridicamente mais seguras incluem:

  • Contratação formal de professores
  • Ajuste de carga horária
  • Planejamento melhor de turmas
  • Revisão do modelo operacional

Estágio não deve ser usado para tapar buracos estruturais.

Fiscalização em academias: uma realidade cada vez mais comum

O setor fitness está cada vez mais no radar de fiscalizações, especialmente por:

  • Uso excessivo de estagiários
  • Ausência de profissionais habilitados
  • Denúncias internas

Academias que se antecipam e se regularizam evitam autuações e processos.

Pode ter muitos estagiários? Cuidado com o limite invisível

A legislação brasileira não proíbe o uso de estagiários em academias, mas impõe limites claros. O problema começa quando o estágio deixa de ser educativo e passa a ser operacional.

Siga as redes sociais da Araujo Soares e Cruz Advogados Associados:

Facebook • Instagram • LinkedIn • YouTube • Imagem: Freepik

Av. Contorno, 6321 – 3º andar | Savassi – BH/MG
Agende uma consultoria estratégica para sua empresa 

Entre em contato • WhatsApp

Próximo Anterior

Posts recentes

  • Você sabia que o sindicato não pode cobrar contribuição de forma retroativa?
  • Academia com muitos estagiários: o que a lei permite, onde está o risco e como manter tudo juridicamente regular
  • Por que atualizar seu compliance o quanto antes: ESG, Geração Z e o novo risco empresarial
  • Se o seu salário é de até R$ 5.000, há um desconto que não pode mais existir no seu holerite a partir de 2026
  • Fim da escala 6×1: o que você, empresário, deve rever na sua empresa

Categorias

  • Direito de Família
  • Direito do Consumidor
  • Direito do Trabalho
  • Direito empresarial
  • Sem categoria

Arquivos

  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • março 2024
  • janeiro 2024
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • junho 2021

Av. Contorno, 6321 – 3º andar | Savassi – BH/MG

Entre em contato: (31) 8363-9900 | (31) 97252-8959

  • Quem somos
  • Especialidades
  • Área de atuação
  • Blog
  • Contato
Araújo Soares e Cruz
Desde 2003

Fale conosco pelo telefone (31) 8363-9900 ou no WhatsApp abaixo

X